01 Março 2012

SABE QUEM PROCURAR QUANDO SE PRECISA?

Ligar para o 190 deve ser apenas em caso sérios. No entanto, mutos estão realmente precisando ser atendidos em uma emergência, mas não sabem o número que ligar e ligam para o 190. Essas pessoas, representam quase 36% das ligações, segundo o próprio 190, ou seja, mais de 8 mil pessoas por dia precisam de atendimento emergencial e não são atendidos com eficiência. Isso poderia ser resolvido de forma simples, otimizando tempo, custos, espaço... Bastava ter apenas um número de emergência que atendesse todos os chamados.

Vamos ver se você sabe:
Tá na rua e uma pessoa foi atropelada por um carro na sua frente, ela está mal e precisa de socorro imediato. Para qual número você liga? 190 ou  193?
Pensou? Já sabe a resposta? Pois é, nenhum dos dois, pois já tem um tempo que o 193 atende apenas incêndios ou acidentes graves com pessoas presas as ferregens, por exemplo. Nos demais casos você deve ligar para o SAMU, ou seja, para o 192.

Se fossse um assalto você ligaria para o 190, mas se for uma batida que precisa do registro de ocorrência da PM, você deve ligar para o batalhão da área, obviamente depois de descobrir qual é o batalhão que atende aquela área. Lembre-se que nas viaturas tem o número 190 para você ligar no caso de emergência.

Caso você esteja na Dutra ou na Washinton Luiz ou em qualquer estrada federal, esqueça todos esses números e ligue para o 191.

Enfim, em casos de emergência você não deve perder tempo, mas como não perder tempo se você precisa saber exatamente o telefone que ligar em um curto espaço de tempo, estando em um momento onde normalmente as pessoas ficam nervosas. E pior, se você está nervoso o atendente diz que não é possível te atender por você estar nervoso.

Lamentávelmente, temos a imensa necessidade destes serviços no Brasil e ainda mais no Rio de janeiro. Só que eles não funcionam perfeitamente, elevando ainda mais a violência e as mortes por acidentes em vias públicas.

Outro fato que é preciso ser comentado, é o fato de o batalhão de São João de Meriti atender uma área MAIOR e ter um efetivo MENOR que o batalhão de Copacabana. Será que a polícia militar não conhece o significado de "proporção"? Certamente conhece, mas o que acontece em São João de Meriti não é tão divulgado quanto o que acontece em Copacabana. Por isso que para atender um chamado, um leva mais de 3 horas do que o outro.

Segue a matéria do jornal O Globo.

Atendimento do 190 vira polêmica no Rio
A enfermeira Sheila da Cruz acusou a atendente do serviço de perder tempo solicitando informações em excesso e dificultar atendimento

RIO - Um mal-entendido no diálogo entre uma operadora do 190 (telefone de emergência da PM) e a testemunha de um assalto na manhã de terça-feira na Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, virou motivo de polêmica. Em entrevista à BandNews FM, a enfermeira Sheila da Cruz acusou a atendente do serviço de perder tempo solicitando informações em excesso como precondição para enviar uma viatura ao local. A Secretaria de Segurança, que coordena o teleatendimento nos 19 municípios da Região Metropolitana, por sua vez, alega que a funcionária adotou o procedimento padrão e que a enfermeira estava nervosa ao ligar para o serviço.

Veja mais informações no infográfico
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Esteja a razão com quem estiver, o fato é que o diálogo também chamou a atenção da secretaria. A gravação da conversa — que não foi divulgada para a imprensa — será usada no próximo curso de reciclagem este mês para os mais de 200 telefonistas que trabalham no serviço. Segundo o órgão, os cursos ocorrerão a cada seis meses. Os atendentes do 190 são monitorados por oficiais da PM, mas não pertencem aos quadros da corporação.

No relato de Sheila, a atendente não ficou satisfeita com a informação de que o assalto ocorrera na Avenida Epitácio Pessoa em frente à Pequena Cruzada. Também teria solicitado o endereço detalhado, bem como a placa e a cor da moto usada pelo assaltante, entre outras informações para enviar uma viatura.

— Tanta burocracia me irritou e acabei sendo ríspida. A atendente, alegando que eu estava muito nervosa, desligou na minha cara. Estava mesmo exaltada, mas esse não é o tratamento que se espera de um atendente de 190 — criticou Sheila.

A enfermeira contou que, por volta das 7h30m, ia de carro de casa para o trabalho pela Epitácio Pessoa quando parou num sinal próximo à Pequena Cruzada. À sua frente, viu que um motoqueiro se aproveitou para assaltar uma motorista.

— Ele quebrou o vidro do carona com algo que parecia uma arma e tirou alguma coisa. Quem vinha atrás buzinou para alertar. Assustada, a motorista retornou pelo canteiro. Foi quando tentei alertar o 190 — disse Sheila.

Coronel: problemas são exceções

A Secretaria de Segurança deu outra versão. Informou em nota que supervisores do 190 ouviram a gravação da conversa, junto com a operadora. A atendente foi orientada sobre cuidados para evitar confusões no entendimento da ocorrências. Mas, apesar da recomendação, o órgão alegou que, ao começar a relatar o caso no 190, a enfermeira deu a entender que se tratava apenas de um acidente de trânsito: uma ocorrência que a PM deixou de atender desde o ano passado, quando as colisões não registram vitimas.

Segundo a secretaria, ao perceber que se tratava na verdade de um assalto, a funcionária pediu informações mais detalhadas e enviou os dados para o 23 BPM (Leblon). No batalhão, a central de operação deslocou a viatura mais próxima.

— Os atendentes do 190 são orientados a solicitar o maior número possível de informações para agilizar o atendimento. É uma regra. É claro que, em alguns casos, o nervosismo dificulta a compreensão. Mas são exceções — argumentou a coronel Editi Bomfadine, coordenadora do 190.

Na versão da secretaria, Sheila informou inicialmente ao 190 que um motoqueiro tinha quebrado o vidro de um carro. A atendente pensou então que se tratava de um acidente sem vítimas e orientou a enfermeira a anotar a placa e procurar o batalhão da PM para registrar o Boletim de Acidentes (Brat) . "Porém, a solicitante achou que a atendente havia entendido o problema e estava pedindo informações descabidas para aquela situação e, que de nada adiantariam, pois o assaltante já estaria longe. A ligação foi interrompida porque a solicitante desligou o telefone, e não o contrário", informou em nota oficial.

Segundo o órgão, em quatro minutos o 23º BPM (Leblon) enviou uma viatura ao local. Logo após, o 190 recebeu mais duas ligações sobre o caso de testemunhas que deram mais detalhes mais precisos. Até o início da noite, ninguém foi preso.

A secretaria lembrou que, logo após assumir o cargo, o comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, criou um plano de metas para reduzir o tempo de envio de viaturas pelos batalhões, a partir do momento em que os centros de operação recebem informações do 190. O tempo médio teria caído de 42 minutos em janeiro de 2011 para apenas sete minutos em janeiro deste ano. De acordo com o órgão, as informações de desempenho estão sob análise interna e no futuro divulgadas na internet.

Mas uma inspeção feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o serviço 190, cujo relatório foi votado no início do ano passado, concluiu que os tempos de espera podem ser maiores ou menores. Um levantamento feito por amostragem concluiu que o 19 BPM (Copacabana) levava em média em 11 minutos e 51 segundos para enviar uma viatura a partir da chegada dos dados pelo 190 ao comando de operações. Enquanto isso, o 21 BPM (São João de Meriti, na Baixada Fluminense) levava 3 horas, 12 minutos e 47 segundos. Segundo o relatório, as diferenças eram porque o batalhão da Baixada cobre uma área bem maior, mas com menos efetivo e recursos do que os disponíveis na Zona Sul.

O relatório também identificou outros obstáculos que afetam a qualidade do serviço e recomenda que sejam solucionados. Os mapas usados pelo sistema 190 contam, segundo o TCE, com poucos pontos de referência (como escolas, padarias e postos de gasolina por exemplo) para auxiliar na orientação dos PMs. Além disso, apesar das viaturas disporem de GPS, ainda existem "áreas de sombra" que impedem em alguns casos que o policial saiba com precisão se a viatura acionada de fato é a que está mais próxima da ocorrência. Nesse caso, a solução é acionar os PMs pelo rádio. O relatório também recomenda que as delegacias agilizem o atendimento das ocorrências para que os policiais possam retornar ao patrulhamento das ruas no menor tempo possível. Outra medida sugerida é que os efetivos sejam distribuídos proporcionalmente a população atendida.

Atendentes têm que saber lidar com situações de estresse

O sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do estado do Rio de Janeiro (Uerj), que assina dezenas de artigos acadêmicos e estuda a segurança pública no estado, lembrou que, em qualquer lugar do mundo, o atendente do serviço de emergência é treinado para jamais desligar o telefone quando recebe um telefonema. Sua obrigação é estar preparado para atender pessoas debilitadas e nervosas, muitas vezes em situações dramáticas.

— Ele deve ignorar qualquer provocação. Precisa estar preparado para isso, independentemente de qualquer coisa, de uma grosseria ou de uma gentileza. Ou seja: sendo a pessoa grosseira ou encantadora, o atendente precisa definir rapidamente o grau de urgência, identificar o local e enviar ajuda — afirmou Cano.

Para o sociólogo, por outro lado, o cidadão que procura o 190 também precisa ser objetivo: primeiro informar o grau de urgência, o local do fato e se há risco de morte ou qualquer outro perigo iminente. Se possível e por último, deve dar detalhes: placas de veículos e se há homens armados.
Fonte: Jornal O Globo

29 Fevereiro 2012

MMA - O ESPORTE DO FUTURO OU DO PASSADO?

Coluna em O Globo: A cruzada contra o MMA no Brasil
Por Guga Noblat
Coluna publicada no jornal O Globo:
Foto: Blog MMA - Jornal O Globo
José Mentor não gosta de MMA. Acha violento. O compara aos tempos do Coliseu. Pior ainda, José Mentor abomina o MMA. Não considera um esporte legítimo. “Rinha humana”, filosofa Mentor.

Não haveria problema algum em José Mentor ser um critico das artes marciais mistas. Cada um que tome o controle remoto do colo da esposa e veja o que bem entender. O problema é que Mentor é deputado federal. E resolveu fazer uma caça às bruxas com o MMA. Tomou frente num projeto de lei que multa em 150 mil reais as emissoras de TV abertas ou fechadas que exibirem” lutas não olímpicas consideradas violentas”. Canais reincidentes poderiam, inclusive, sair do ar. O alvo dessa ação é somente o MMA.

A mediocridade de nossos políticos fica latente pela maneira como eles criam, desfazem e discutem leis. Mentor não tem a menor ideia dos riscos inerentes a qualquer esporte. Mas abusa da retórica ao tentar cavar argumentos para banir o MMA. Chama de incitação a violência. Compara com briga de galo. Diz que tem médicos no Canadá que querem proibir as artes marciais mistas. Um tremendo tiro no pé, perceberá num futuro breve.

O Brasil é o berço do MMA. O desafio Gracie que começou ainda nos anos 20 e sacudiu o Rio de Janeiro é a base desse esporte. O então presidente Getúlio Vargas valorizava o chamado Vale Tudo e prestigiou na década de 50 um confronto histórico do pai do jiu-jitsu moderno, o lendário Hélio Gracie, contra um dos judocas mais importantes de todos os tempos, o japonês Masahiko Kimura.

No norte, a partir de Belém do Pará e passando por Manaus, no Amazonas, a cultura do jiu-jitsu também fincou raízes desde cedo. Hoje, o MMA é um esporte mundial, mas de DNA verde e amarelo. Devia ser valorizado e defendido pelos políticos como é a capoeira. Mas Mentor tenta impor à sociedade uma visão distorcida que ele tem desse esporte. Puro preconceito respaldado por nada e com base em coisa alguma, fomentado apenas em meras impressões.

Perguntei ao ícone do MMA mundial Wanderlei Silva o que ele pensa sobre a atitude de Mentor. Resposta do atleta:
- Esses políticos ja viram algum evento de MMA? Acho que eles deviam fazer uma lei para ajudar os viciados em crack, não proibir o MMA. Isso é esporte, olha quanta gente ta sendo salva. Acho que isso é uma coisa de parlamentares que querem chamar atenção. Essas pessoas são totalmente ignorantes com relação a esse assunto.

O esporte mais arrebatador das últimas décadas tomou proporções gigantescas e trafegou um longo caminho até ser aceito pelos grotões mais conservadores da sociedade norte-americana. A mesma comparação esdrúxula de José Mentor foi feita por outro politico metido a fiscal dos bons costumes. Em 1996, o então senador americano John McCain comparou o MMA a uma rinha de galo e tomou a dianteira numa cruzada para proibir esse esporte. Mas, com alguns ajustes na regras, os eventos dos Estados Unidos passaram a ser sancionados por comissões atléticas responsáveis por regulamentar o boxe e o senador ficou sem argumento. Anos mais tarde, McCain reconheceria que o MMA é um esporte legitimo com regras que protegem os atletas.

Mentor se vale de um argumento um tanto quanto incoerente, para não dizer tosco, na hora de justificar a caça ao MMA. O projeto de lei apresentado por ele veda a exibição de confrontos de artes marciais não reconhecidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, pois eles não seriam regulamentados. Chama esse esporte de brutal, mas avaliza a exibição de outros combates comprovadamente mais traumáticos do que o MMA, como é o caso do boxe.

O UFC, maior liga de artes marciais mistas, tem o aval de comissões atléticas. O evento oferece uma estrutura de ponta para os atletas e até paga um seguro médico a eles. Nunca foi registrado um incidente grave nessa organização. Em toda história do MMA desde a década de 90 houve três fatalidades por conta de traumas provocados em combates. Número bastante inferior aos mais de 70 computados no boxe nesse mesmo período. Ou às dezenas de mortes nos milionários jogos de futebol americano nos últimos 20 anos. O chefão do UFC, Dana White, sonha em tornar o MMA um esporte olímpico. Mas ai é uma questão burocrática. Depende de se formar dezenas de federações que promovam o MMA em diversos países para um dia ser aceito pelo Comitê Olímpico Internacional. Depende de lobby também. Mas o mais importante não é entrar para a lista de esportes do COI. E sim, criar e aprimorar as regras para proteger os atletas. O único estudo sério sobre traumas em lutas classificou o MMA como menos traumático para o cérebro do que o boxe. Os números mostram isso. Jonh McCain já se convenceu disso. Falta o Mentor.

Comparar um atleta de MMA que se prepara durante três meses para um combate regulamentado e assistido por médicos a uma rinha onde galos são covardemente incitados a brigar mostra o nível de despreparo de Mentor para falar do assunto. Comparar ao Coliseu onde homens eram obrigados a se matar ou eram jogados aos leões deixa exposto toda a amargura e preconceito de Mentor contra um esporte que hoje é visto por mais de 350 milhões de pessoas no mundo e movimenta mais de 5 bilhões de dólares por ano. Mas, se depender de Mentor, MMA no Brasil só pela internet. A conferir!
Fonte: Blog MMA - Jornal O Globo

Bom, acho que para um blog chamado 'MMA', o Noblat, que provavelmente é filho do Ricardo Noblat, um jornalista questionável, defendeu bem o interesse do blog e do império que controla o blog em que ele (e o provável pai) trabalha(m).
 
Já imaginou a Globo perder um canal inteiro (Combate) e uma aquisição milionária feita a pouco tempo?
Certamente ela se voltará para fazer o povo ir contra o deputado.

Eu não acho que o MMA é um esporte, muito menos, saudável.
Fonte: Google Imagens
Também comparo, como qualquer outra pessoa que não fature com ele, com uma rinha de galos ou gladiadores do século XXI.
 
O UFC pode até ter regras e estrutura para o que ele é, mas certamente não é saudável.
 
"O único estudo sério sobre traumas em lutas classificou o MMA como menos traumático para o cérebro do que o boxe." Quem definiu que um estudo é sério e outro não? O Noblat? Que estudou o que para afirmar isso? O boxe olímpico, com certeza tem menos traumatismos que o MMA. O boxe puro, ou não olímpico, não é olímpico e deveria ser enquadrado na lei do deputado.
 
Concordo também que esse esporte pode incitar a violência nas ruas ou richas entre academias, causando mortes fora do ring.
 
Não é porque é um sucesso lá fora ou aqui dentro, que é uma coisa boa ou saudável.
 
Quanto a perguntar a alguém que pratica o esporte profissionalmente e entre uma luta e outra comenta lutas no mesmo império midiático no qual o blogueiro trabalha, é algo que leva a crer que o post é voltado a ter uma única visão. Se o post fosse realmente sério, o entrevistado deveria ser um médico ou alguém da área de segurança, já que o tema do projeto de lei se trata de saúde e violência.

Conclusão, não sou fã do MMA mas não sei ao certo o que está escrito no projeto de lei, pois o que eu sei dele é o que está escrito nas primeiras linhas do post do Guga Noblat, logo também não o defendo, a princípio. Mas acho que existem esportes mais saudáveis e que deveriam ser mais valorizados.

21 Janeiro 2012

DO FUTEBOL PARA POLÍTICA



QUE PAÍS É ESSE?


Parte de entrevista do ROMÁRIO ao jornalista Cosme Rimoli - TV Record .

- Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

- Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

- Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

- São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

- O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular.
Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

- A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio.
O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

- Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

- Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro...


Entrevista concedida ao repórter Cosme Rímoli, da TV Record.
    A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil. Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro. E o povo? Nada como sempre!
    Apenas terá a obrigação de contribuir para pagar a conta.
    Precisamos virar a cara para esses eventos literalmente sujos e mafiosos.
    Quem teve a idéia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe?
    O Brasil é uma farsa, como sempre irá jogar a sujeira para debaixo do tapete.
Entrevista completa:

18 Dezembro 2011

CHEVRON - O LOBBY DO PETRÓLEO


Cá entre nós, se o Ministério Público não sabe avaliar o valor de uma multa, um deputado saberia???
#20BiNeles

Líder do governo questiona MP por multa bilionária à Chevron 

Brasília - O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), questionou nesta quinta-feira a "razoabilidade" do Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes (RJ), que pediu na quarta-feira indenização de R$ 20 bilhões à empresa Chevron e à sua contratada Transocean pelos danos ambientais causados a partir do derramamento de petróleo no Campo de Frade, em 7 de novembro.

"Você acha natural alguém comprar R$ 20 bilhões de multa? R$ 20 bilhões de multa? Sem estudo, sem nada, (pedem) R$ 20 bilhões? Vocês sabem o que é R$ 20 bilhões? Esse procurador estudou, viu lá o impacto ambiental, viu as coisas? Acho que as pessoas precisam ser razoáveis, ter razoabilidade. Qual é a função do Ministério Público? Achou que não cobrou multa? Achou que não trabalhou direito? Faz uma representação contra. É como a pessoa que bate em um poste e (se define) colocar R$ 1 bilhão (de multa a ela)", opinou o parlamentar.


Em nota, o procurador Eduardo Santos Oliveira havia defendido a penalidade por considerar que as duas empresas não foram capazes de controlar os danos causados pelo vazamento dos cerca de 3 mil barris de petróleo na Bacia de Campos.

Fonte: Jornal do Brasil

ELES SÓ QUERIAM ESTUDAR

Estudantes morrem por se manifestarem contra o fechamento de uma escola, no México.

16 Dezembro 2011

CÓDIGO DE ÉTICA DA IMPRENSA GLOBAL (MARROM)



A Unb, a Globo e o Código de Ética

Por leodf
Da UnB Agência
Relatório afirma que Rede Globo feriu Código de Ética em matéria sobre CA's

Documento produzido por comissão de professores criada para avaliar acusação de consumo de drogas e venda de bebidas foi entregue ao reitor

Thássia Alves - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Relatório da comissão criada pra avaliar reportagem exibida no programa DFTV sobre suposto consumo de drogas e comércio de bebidas alcoólicas nos Centros Acadêmicos da Universidade de Brasília concluiu que a Rede Globo de Televisão feriu o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Quebra de decoro, prática indutiva, montagem de cenas, má-fé e editorialização dos fatos são condutas atribuídas à equipe de reportagem pelos professores que assinam o relatório.

“A reportagem cumpriu o dever da imprensa para com o interesse público, mas, ao mesmo tempo, prestou um desserviço ao manipular fatos e informações”, diz o documento, entregue nesta quarta-feira pela comissão ao reitor José Geraldo de Souza Junior e encaminhado também à Rede Globo.

De acordo com o relatório, a reportagem, exibida em 14 de janeiro deste ano, utilizou imagens de diferentes Centros Acadêmicos, feitas em horários distintos, e as atribuiu ao CA de Geologia (CAGEO). “Uma tomada em que aparece alguém fumando um cigarro de maconha foi feita num contexto e atribuída a outro, onde não foi constatado o consumo de drogas ilícitas”, aponta o relatório. A apuração mostra que, para conseguir viabilizar a reportagem, um dos cinegrafistas se fez passar por estudante e usou a droga junto com um grupo de alunos.

Também foi apontada má-fé na abordagem e na condução da fonte. Segundo o relatório, o prefeito do campus foi procurado pela equipe para conceder uma entrevista sobre segurança, mas não tratou do assunto. Paulo César também foi retratado erroneamente como vítima de cárcere privado. “Ele entrou na sala e ficou por livre e espontânea vontade durante três minutos e não dez, como noticiado”, mostra o documento. “Foi armada uma cilada para desmoralizá-lo”, afirma o professor Luiz Martins da Silva, da Faculdade de Comunicação (FAC), um dos integrantes da comissão.

A reportagem também afirmou que, mesmo sendo acionada pelo prefeito, a equipe de segurança não foi ao local da festa. “O serviço de segurança estava presente no local. Porém, seguindo determinações do próprio prefeito, a equipe ficou afastada enquanto o prefeito atendia a repórter”, descreve o relatório.

A comissão considerou ainda opinativos e tendenciosos os comentários do apresentador do DFTV Alexandre Garcia. “Ele disse que a UnB é uma universidade decadente há 25 anos. Ora, todo contexto de crescimento e produtividade foi ignorado”, afirma o professor Luiz Martins, que também é coordenador do projeto SOS Imprensa. “A consequência disso tudo é que houve uma distorção do que é a universidade. Condutas não comuns foram generalizadas e estereotipadas causando apreensão na comunidade externa e interna e dano à imagem”, explica.

O relatório considera que, ao manipular fatos e informações, a reportagem trouxe “dano à imagem da UnB perante a população, que passou a ter ‘dados’ segundo os quais a universidade é um local de risco para seus freqüentadores que, em busca dos seus principais serviços – ensino, pesquisa e extensão –, acabam se deparando com oportunidades de práticas e consumos ilegais”.

Além do professor Luiz Martins, a comissão é composta pelos professores Luciano Soares da Cunha, do Instituto de Geociências (IG), e Maria de Lourdes Ribeiro, técnica em assuntos educacionais do Decanato de Gestão de Pessoas (DGP). Foram entrevistados pelos integrantes da comissão Paulo César Marques, prefeito dos campi, um responsável pelo serviço de limpeza do campus, que optou por não se identificar, Edmilson Lima, chefe da Coordenação de Proteção ao Patrimônio (CoPP) e  Fabrício dos Santos, presidente do CAGEO. Procurada, a Rede Globo não quis prestar depoimento.

OUTRO LADO – Em depoimento, o presidente do CAGEO, Fabricio dos Santos, conta que a confraternização dos alunos estava acontecendo com ordem quando um homem com uma mochila entrou na sala e disse estar à procura de um aluno da Química. Em seguida, ele deixou o espaço e foi até o Centro Acadêmico de Geofísica (CAGEF). Lá, os estudantes estavam jogando vídeo-game e fumando maconha. O cinegrafista abordou os alunos e perguntou onde poderia comprar drogas. Depois de questioná-los, se juntou ao grupo e também usou a droga.

Em seguida, o cinegrafista e a repórter voltaram à festa do CAGEO, passearam pela sala e, parando no caixa onde estava sendo vendida bebida alcoólica, a repórter perguntou se tinha vodca. Os profissionais compraram duas latas de cerveja e foram embora deixando um troco. Ao sair da sala, a profissional teria dito a um dos estudantes que era aluna do Jornalismo. O aluno viu quando a repórter e o cinegrafista entraram no carro da Rede Globo.

Cerca de 1h30 depois, a equipe de reportagem, acompanhada pelo prefeito, voltou ao CA. “Nesse momento, quando um aluno percebeu o reflexo das luzes da câmara, fechou a porta”, afirma o relatório. Segundo o estudante, quando Paulo César afirmou que a entrada de uma autoridade não poderia ser impedida, os estudantes abriram a porta e pediram para que a repórter não entrasse. Ao contrário do que a reportagem noticiou, Paulo César não foi “retido” pelos alunos, diz o relatório.


Junto aos estudantes, o prefeito constatou o consumo de cervejas e cigarros. Porém, não identificou o uso de maconha ou de qualquer outra substância ilícita. Enquanto conversavam com Paulo César, Fabrício afirma que a jornalista insistia em empurrar a porta. “Foi quando houve o incidente em que a câmera mostra que ela teria ficado com o sapato preso, o que motivou que alguém, supostamente o cinegrafista, desse um pontapé na porta para liberar o pé da repórter”, disse o estudante. Enquanto esteve na sala, o prefeito disse que acionou a equipe de segurança, que chegou ao local.

O presidente do CA afirma que em nenhum momento foi convidado a dar entrevistas sobre a reportagem. “Se isso tivesse acontecido, a repórter teria conseguido todas as informações sem precisar se infiltrar em uma festa, junto com sua equipe, disfarçados de convidados”, disse Fabricio. “Eles sofreram as consequências dos problemas que aconteciam no Corredor da Morte”, disse o professor Luciano Soares da Cunha, do Instituto de Geociências.

RECOMENDAÇÕES – A comissão recomenda que as festas realizadas nos campi devem ser autorizadas pela Administração, independentemente do horário previsto para ocorrerem e do número de convidados. Os procedimentos para solicitar a autorização precisam ser divulgados no Portal da UnB e devem estar de acordo com as exigências da Diretoria de Serviços Gerais da Prefeitura, do Corpo de Bombeiros e demais órgãos competentes. Hoje, as festas precisam de autorização das unidades acadêmicas ou decanatos e só podem acontecer após às 22h.

De acordo com o documento, foi verificado que quando as festas possuem autorização não há problemas de dano ao patrimônio, atos ilícitos ou tumultos. “Tudo fica em ordem e a limpeza é um procedimento normal”, diz um funcionário da Prefeitura não-identificado no relatório. Já nas festas clandestinas, o cenário muda: muita sujeira, mau uso do patrimônio público, furto de fechaduras e torneiras, vidros quebrados e até salas de aula arrombadas. “Nestes casos, além de fazer a ocorrência no livro preto, é acionado o Serviço de Segurança para que seja feita a ocorrência e comunicado à Diretoria de Serviços Gerais”, explica o servidor.

Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

15 Dezembro 2011

SAMSUNG - PRESSÃO, METAS, DOENÇAS E DEMISSÃO



Empresas coreanas instaladas no Brasil são acusadas de exploração
Ministério público investiga a fábrica da Samsung em Campinas e outras empresas depois de denúncias de empregados

Campinas, São Paulo - "Já não posso nem me pentear sozinha", declara, em lágrimas, uma ex-empregada brasileira do grupo sul-coreano Samsung Electronics ao denunciar os abusos e exigências trabalhistas que causaram uma paralisação quase total de seu braço esquerdo.

O caso da jovem, que prefere não se identificar, faz parte de dezenas de denúncias contra a empresa instalada em Campinas, a 100 km de São Paulo, um problema que se repete em outras empresas coreanas recém chegadas ao Brasil.

"Sou muito jovem para sofrer tudo isso", lamentou a ex-empregada de 30 anos, que deverá ser operada por um desgaste nas cervicais que afetou o movimento de seu braço e pescoço.

A máquina que operava "exigia que eu ficasse com a cabeça virada para baixo por muito tempo (...) Hoje não tenho mais os movimentos do braço e do pescoço. Hoje não tenho mais vida. Não consigo um novo emprego", soluçou a jovem, que foi despedida após seu problema de saúde.

Choro, amargura e rostos cansados são o denominador comum de vários trabalhadores da empresa de telecomunicações que decidiram denunciar abusos.

"Ordens dadas aos gritos, palavrões e agressões (...) São coisas que nossa cultura não admite", contou à AFP Catarina von Zuben, fiscal do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campinas, que investiga o ambiente de trabalho das empresas coreanas na região industrial paulista.

A investigação concluiu que as agressões físicas, como empurrões, e psicológicas, como insultos e pressões para aumentar a produção, provocaram "muitos quadros depressivos, problemas na saúde, muitos de ordem mental e de sistema ósseo-muscular", afirmou.

Os empregados que testemunharam contra Samsung na denúncia do MPT, apresentada em maio de 2010, narraram jornadas extenuantes, com a realização de movimentos repetitivos na linha de produção, além de agressões e tratamento humilhante dos supervisores.

"Se o funcionário não alcança a meta (de produção) estipulada, diziam que lá fora tinha muita gente querendo entrar na empresa (...) Então trabalhávamos como loucos", relatou à AFP uma empregada, que preferiu não divulgar sua identidade e sofre de tendinite em uma das mãos por causa dos movimentos repetitivos.

Igual a "Tempos modernos" de Charles Chaplin, a jovem executava o mesmo movimento durante 10 horas diárias de pé, juntando placas de telefones celulares. Nem mesmo utilizava os cinco minutos que tinha direito para beber café para não perder tempo.

"Quase fiquei depressiva (...) Era uma funcionária exemplar. Aí você fica doente e já não é mais. É descartada", acrescentou a empregada que montava entre 90 e 100 celulares por hora quando a meta era 80.

A Samsung despediu a empregada no dia seguinte depois da conversa com a AFP, sem dar explicações, informou o MPT, que investigará o caso.

Segundo um estudo do Centro de saúde do trabalhador (Cerest), muitos dos empregados com problemas ósseo-musculares são jovens que apresentam "lesões degenerativas relacionadas a velhice".


A pressão dos supervisores para aumentar a produção, soma-se a constante ameaça de demissão.

"As pessoas têm medo de denunciar por medo de perder o trabalho", afirmou outro empregado, que tem "certeza absoluta" de que em breve será demitido por ter denunciado as situações de abuso.

A fiscalização do Trabalho entende que se trata essencialmente de um problema de diferença cultural, já que também foram registradas queixas similares nas coreanas LG e Hyundai (fábrica em construção). O ministério pretende assessorar as empresas asiáticas que querem se instalar na região quanto à legislação trabalhista brasileira.

"A cultura (empresarial) asiática está baseada em uma hierarquia rígida e de cumprimento de metas", destacou Yi Shin Tang, professor da Universidade de São Paulo, especialista em companhias asiáticas, ao destacar que os brasileiros "trabalham quatro, cinco meses (nestas empresas) e não aguentam a pressão".

A Samsung firmou em agosto um acordo judicial com o MPT se comprometendo a acabar com o abuso trabalhista e pagar uma indenização por danos morais de um total de 500.000 reais. Mas, segundo os empregados consultados, a situação não mudou.

"Antes se trabalhava a base de golpes. Agora não, mas só por causa das denúncias", declarou o operador Walter Manoel, pertencente ao Sindicato de Metalúrgicos, que afirmou ter sido ameaçado após o acordo.

Com o acordo judicial, a Samsung considera "o assunto oficialmente terminado", disse a empresa em um comunicado enviado à AFP, onde destacou estar "comprometida em manter o bem-estar de seus funcionários".

Fonte: Exame

14 Dezembro 2011

CHEVRON - TUDO ERRADO



Chevron pode pagar R$ 260 milhões em multas
Petrolífera norte-americana deve receber mais multas por vazamento na Bacia de Campos, além dos R$ 50 milhões aplicados pelo Ibama

A Chevron pode pagar cerca de R$ 260 milhões em multas por causa do vazamento de óleo na bacia de Campos. Até agora a empresa já foi multada em R$ 50 milhões -o valor máximo permitido pela legislação- pelo Ibama.

Uma outra notificação no valor de 10 milhões de reais poderá ser aplicada se o órgão ambiental brasileiro constatar que a companhia não cumpriu adequadamente o plano de emergência previsto em contrato, afirmou nesta segunda-feira a jornalistas o presidente do Ibama, Curt Trennepohl.

Além disso,  a Agência Nacional de Petróleo (ANP) estuda autuar a empresa com outras multas, que podem custar à empresa cerca de R$ 100 milhões.

Outra possível multa também  foi anunciada ontem pelo secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc. A Procuradoria-Geral do Estado vai entrar com ação civil pública cobrando da petrolífera Chevron reparação por danos causados à biodiversidade marinha e aos ecossistemas costeiros pelo vazamento de petróleo na Bacia de Campos, semana passada. O valor da indenização pode chegar a R$ 100 milhões, o dobro da multa a ser aplicada pelo Ibama.

Segundo Minc, 50% da multa a ser aplicada pelo Ibama - R$ 50 milhões - será investida em três parques da costa da região atingida: “Metade da multa será destinada aos parques estaduais e federal da região – o de Jurubatiba e os estaduais da Costa do Sol e da Lagoa do Açu, a ser criado até dezembro”, disse Minc.

Minc disse também que até o final desta semana a Chevron e a Transocean – empresa responsável pela perfuração dos poços de petróleo no Campo do Frade, no Norte Fluminense – receberão notificação determinando a realização de auditoria, em padrões internacionais, em todas as suas instalações, em terra e no mar.

Segundo Minc, a auditoria vai custar aproximadamente R$ 5 milhões e quem vai pagar a conta será a Chevron e a Transocean. O foco da auditoria será, entre outros temas, os planos de contingência e de emergência obrigatórios às duas empresas: “Ter um plano de emergência é fundamental. Aliás, o plano é exigido no processo de licenciamento. A auditoria comprovará se as empresas realmente estavam preparadas para casos de acidentes”, disse o secretário.

Compensação por danos
As infrações contra o meio ambiente resultam em três tipos de punição: a sanção administrativa, que inclui multas aplicadas pelo Ibama e outros órgãos reguladores; sanções penais, de competência do Ministério Público (PM) e Polícia Federal (PF), e a obrigação de reparação do dano, num processo mais demorado em que o Ibama ou o MP precisam mensurar o tamanho do estrago.

"Esse dano até o momento não foi mensurado, porque é um processo mais técnico, mas demorado, porque precisa-se mensurar o dano causado para aplicar uma medida de recomposição ao meio ambiente", afirmou o presidente do Ibama.

"Mas certamente assim que for avaliado e quantificado o dano ambiental causado, será promovida ação de indenização ao meio ambiente por esse dano", disse o representante do Ibama.
A sanção para recompor os danos ao meio ambiente é aplicada por meio de ação civil pública, que pode ser proposta tanto pelo Ibama quanto pelo Ministério Público Federal (MPF). Caberá à Justiça fixar o valor que deverá ser pago pela petroleira.

Nada a fazer
A suspensão de atividades não é uma alternativa que está sendo cogitada pelo órgão ambiental, pelo menos por enquanto.

"Não temos nenhum comprovante de que houve dolo, intenção da empresa de promover acidente, o que não significa que não possa vir a ocorrer no futuro", acrescentou.

Quanto à empresa responsável pela sonda que perfurou o poço da Chevron onde houve o vazamento, não há nada que o Ibama ou o órgão ambiental regional possa fazer. Como contratada pela Chevron, a Transocean não responde por crime ambiental -a responsabilidade toda da petroleira americana, que possui a concessão.

A empresa, a mesma responsável pela plataforma da BP que causou o gigantesco vazamento no Golfo do México, está perfurando outros blocos no Brasil.

Levantamento da Reuters com base em dados da ANP mostra que a empresa está presente no bloco do pré-sal que originou Lula, o BM-S-11, por meio da sonda Cajun Leste. O bloco é operado pela Petrobras. Também há sondas da Transocean em outros campos da bacia de Campos, como Roncador e Marlim Leste.

CHEVRON - JÁ ESTAVA ERRADA E AINDA PIOROU


Chevron é suspeita de trabalhar com estrangeiros ilegais no Brasil
Agência O Globo

A Chevron, empresa norte-americana responsável pelo poço que vaza petróleo na bacia de Campos há 11 dias, pode estar trabalhando com estrangeiros ilegais no Brasil. A suspeita vai ser investigada pelo chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal no Rio, Fábio Scliar, que também investiga crime ambiental no derramamento de óleo. Ainda que o emprego de técnicos sem visto para trabalhar Brasil não se relacione diretamente com o acidente, especialistas dizem que tal irregularidade seria um indicativo de que a Chevron não estaria cumprindo toda a legislação brasileira.

Scilar deve começar a convocar representantes da empresa para serem ouvidos no inquérito. Ele afirmou que até o fim da tarde desta sexta-feira fechará a lista, que pode incluir executivos, técnicos e funcionários embarcados nas plataformas de petróleo: "Ainda não sei quantas pessoas vamos convocar, mas sabemos que há uma peculiaridade neste caso, pois pessoas que eu quero ouvir estão nas plataformas e vão depender de uma certa logística para chegar aqui. Devemos ouvir estas pessoas na próxima semana", disse o delegado, que na véspera definira o acidente como “uma catástrofe”.

Na manhã de hoje, ativistas da ONG Greenpeace protestaram contra a petrolífera Chevron, na sede da empresa no Brasil, em um edifício comercial no Centro do Rio. Os manifestantes derramaram uma substância líquida semelhante a petróleo na porta do prédio. “O Greenpeace quer transparência da Chevron e dos órgãos do governo a respeito do acidente. As informações que se tem até agora são contraditórias. A empresa minimiza o problema. Mas a mancha de óleo pode ultrapassar 160 quilômetros quadrados de extensão”, afirma Leandra Gonçalves, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace, em nota distribuída pela ONG.

E técnicos da Marinha, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobrevoaram a Bacia de Campos, no norte fluminense. O objetivo era verificar a dimensão da mancha de óleo. Além dos técnicos desses órgãos, o secretário estadual de ambiente, Carlos Minc, também participou do sobrevoo.

Oficialmente, a Chevron calcula que a mancha de óleo localizada a 120 quilômetros da costa equivalia ao volume de 65 barris na superfície, e que o total vazado ao longo dos dias teria chegado a 650 barris. O geólogo americano John Amos, da ONG SkyTruth, estima, entretanto, com base em imagens captadas pela Nasa, que houve o vazamento de 3.738 barris por dia entre 9 e 12 de novembro. Isso daria um total de, pelo menos, 15 mil barris despejados no oceano, ou seja, 23 vezes o cálculo da empresa.

Em conversas com parlamentares do Partido Verde, o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, teria calculado que o derramamento de óleo equivale a 3,3 mil barris desde o dia 7 de novembro — cinco vezes mais do que afirma a Chevron. Em conversas com o deputado Sarney Filho (PV-MA) e a diretora da ANP Magda Chambriard, Lima teria dito que houve erro da Chevron na prestação de informações à ANP. Lima informou a Sarney Filho que a Chevron deverá ser punida também por isso, além de multada pelo crime ambiental.

O secretário estadual de Ambiente do Rio, Carlos Minc, também estuda cobrar reparação à Chevron: "Não estamos querendo nos sobrepor ao Ibama. Mas, como o acidente ocorreu no Rio, podemos cobrar reparação para os danos ambientais e, sobretudo, as perdas para os pescadores que atuam na região".

O governador do Rio, Sérgio Cabral, ainda não se pronunciou sobre o acidente. A Petrobras, parceira da Chevron no campo, também não vai falar sobre o assunto. Assim como o Ministério do Meio Ambiente, que alega ter repassado a tarefa ao Ibama. O presidente do órgão, Curt Trennepohl, passou boa parte do dia de ontem no Rio, reunido com representantes da Chevron.

Executivos da Chevron devem ser convocados pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), para uma audiência pública na próxima semana. No Senado, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), também disse que tomará providências. Na segunda-feira, pretende pôr em votação um requerimento para convidar a empresa, a ANP, o Ministério Público e o secretário Minc.

O geólogo Amos, da SkyTruth, um dos primeiros a dimensionar o acidente da BP no Golfo do México, acredita que o vazamento da Chevron na Bacia de Campos tenha começado antes mesmo da data divulgada pela empresa (no dia 9). "Estimamos o ritmo do vazamento entre 9 e 12 de novembro em 3.738 barris por dia. Após o dia 12, a vazão pode ter aumentado ou diminuído. Não há como sabermos, porque o tempo ficou nublado", disse Amos em entrevista ao GLOBO.

A Chevron, em nota oficial, informou que a operação de cimentação para vedar o poço continua em andamento. Não informou, no entanto, a previsão para término dos trabalhos. O motivo do vazamento ainda está sendo investigado. Na avaliação da ANP, a causa "parecem ter sido as operações realizadas pela Chevron". A empresa, por sua vez, alega a existência de uma falha geológica na região atingida.

Fonte: Jornal do Comércio

13 Dezembro 2011

CHEVRON - NATUREZA AINDA SE DESTRÓI


Chevron admite que ainda há vazamento de óleo em Campos
Representante da empresa afirmou que ainda resta óleo residual e que há uma pequena chance de que ele chegue até as praias

AE | 13/12/2011 12:03

Um representante da empresa Chevron admitiu ontem (12), durante audiência pública na Câmara Municipal de Macaé, no Rio, que mesmo depois do controle do vazamento ainda resta óleo residual vazando na Bacia de Campos.

O superintendente de Meio Ambiente da Chevron, Luiz Pimenta, garantiu que a empresa controlou o vazamento do óleo em quatro dias, desde que a Petrobras informou à norte-americana sobre o vazamento, que ocorreu a 115 quilômetros do Farol de São Tomé, confirmando a proximidade com as praias.

No entanto, Pimenta afirmou que existe "probabilidade pequena" de o óleo chegar às praias."Não posso afirmar que é de 100 por cento", disse o representante da petroleira, acrescentando que 385 metros cúbicos de "água oleosa" foram colhidas do mar.

Durante a audiência, o porta-voz da empresa negou a intenção da petrolífera norte-americana de atingir o pré-sal com a perfuração que culminou no derrame de óleo. Pimenta disse também que o vazamento ocorreu a 1.182 metros de profundidade e que ficou contabilizado em 2,4 mil barris, embora o governo do Estado contraponha este número e acredite que tenha chegado a pelos menos 15 mil barris.

"No somatório, 384 litros de óleo vazaram", avalizou Pimenta. Sendo questionado pelo presidente da Câmara, Paulo Antunes, que presidiu a sessão e pediu que o executivo repetisse os números, já que o Ibama também contesta as divulgações da Chevron, Pimenta disse que "algumas fissuras foram identificadas, a maior delas de 257 metros, mas com uma largura de poucos centímetros", detalhou o representante da petroleira.

Fonte: iG

O QUE PODE VIR PELA FRENTE?

Olimpíada foi prenúncio de crise grega, dizem analistas 
Escalada de custos, falta de controle nas obras e abandono generalizado do legado da Olimpíada foram sinais da tragédia 

BBC Brasil | 30/11/2011 11:06

A escalada de custos, a falta de controle nas obras e o abandono generalizado do legado físico da Olimpíada de Atenas 2004 foram sinais da tragédia financeira que estaria por vir, a crise de débito grega, na opinião de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

A aventura olímpica de Atenas trouxe prestígio, fez a Grécia reviver – mesmo que por apenas três semanas – a glória e a pompa dos jogos pan-helênicos da Antiguidade e deu uma boa polida na autoestima e no orgulho da população.

Mas ela também expôs sérias falhas de planejamento e organização, levantando dúvidas sobre a capacidade do Estado grego – no início de 2004, antes da expansão da UE, a Grécia era o segundo país mais pobre do bloco em termos de PIB per capita – em lidar com um evento do porte de uma Olimpíada.

"Os Jogos foram determinantes para inflar os números na época", disse à BBC Brasil Marika Frangakis, economista do EuroMemo (Economistas Europeus por uma Política Econômica Alternativa).

Segundo Frangakis, o país já vinha acumulando gastos públicos extraordinários, uma situação que teria se agravado "com as oportunidades de corrupção abertas na distribuição de contratos a grandes corporações".

'Olimpíada mais cara da modernidade'

Hoje, sete anos depois, ainda é difícil precisar o total dos gastos com a Olimpíada de 2004. Em novembro daquele ano, o governo anunciou o custo final como sendo de 8,9 bilhões de euros (R$ 21,3 bilhões) quase o dobro do orçamento inicial e o suficiente para apelidar, na época, Atenas 2004 de os Jogos mais caros da história moderna.

O montante não inclui gastos com obras que vinham sendo planejadas antes, independentemente dos Jogos, mas que foram aceleradas por causa destes, como o novo aeroporto internacional, uma via expressa e linhas de bonde e trem, todas na capital ou arredores.

Entenda a crise econômica

Segundo dados do Ministério das Finanças grego divulgados em novembro de 2004, dos 8,9 bilhões de euros (R$ 21,3 bilhões) – quase o dobro do gasto dos Jogos anteriores, os de Sydney, de 6,65 bilhões de dólares australianos (R$ 11,8 bilhões) –, 7,2 bilhões vieram do Estado, que disponibilizou a maior parte destes recursos através de um programa de investimentos em infraestrutura semelhante ao PAC brasileiro.

O país também teve o azar de estar realizando os primeiros Jogos após os ataques de 11/9 nos Estados Unidos, o que o obrigou a aumentar várias vezes a parcela dedicada à segurança do evento.

"A Olimpíada pôs pressão sobre as finanças públicas", disse à BBC Brasil o economista Vassilis Monastiriotis, da London School of Economics.

"Grande parte dos gastos (do Estado) foi financiada com empréstimos."

"Os Jogos arrecadaram bem menos do que o estimado originalmente. O governo esperava recuperar parte dos custos com a venda ou privatização de instalações olímpicas, mas ele conseguiu levantar apenas uma parte disso, 25% talvez, do esperado", diz Monastiriotis.

Hoje, longe de ter ajudado a revitalizar Atenas, o complexo olímpico de Faliro está abandonado, os dois principais estádios estão fechados e várias outras instalações que sediaram competições estão às moscas, cobertas de mato e grafite.

Deficit e Dívida

A economia grega fechou 2004, segundo a Eurostats, o braço de estatísticas da União Europeia, com um deficit de 7,5% do PIB, o maior entre todos os países do bloco, que tinha sido expandido naquele ano em 10 países para 25. No ano anterior, o deficit grego tinha sido de 5,6% do PIB.

A dívida pública em 2004 subiu para 98,6% do PIB – ou equivalente a cerca de 50 mil euros para cada família no país.

O premiê grego na época, Kostas Karamanlis, se apressou em jogar a culpa pela escalada da dívida sobre o governo anterior, acusando-o de ter "maquiado" suas contas com dívidas criadas "em segredo" e deixando de incluir, no Orçamento previsto para 2004, itens significativos como os gastos em Defesa.

O fato de a Grécia ter trocado de governo poucos meses antes da Olimpíada também não ajudou a dar mais transparência à contabilidade dos Jogos.

Assim como não ajudou o fato de sucessivos governos terem se acomodado em manter os altos níveis de endividamento do país.

Em 2003 o país conseguiu reduzir a dívida pública, mas de 2004 em diante, ela cresceu a cada ano, culminando em 144,9% do PIB em 2010.

"Não há dúvida de que os gastos dos Jogos contribuíram para o tamanho da dívida, mas a acumulação da dívida grega é um processo bem mais amplo", disse à BBC Brasil Spyros Economides, cientista político da London School of Economics.

"Não se trata de uma dívida acumulada por famílias ou indivíduos, em empréstimos, hipotecas ou cartão de crédito. É dívida do Estado, gerada por vários governos perdulários, que pegavam fundos da UE, não para investi-los em infra-estrutura, construções, ou programas de criação de emprego ou suporte agrícola, mas em projetos sociais populistas e políticas clientelistas", disse Economides.

O orçamento da próxima Olimpíada, a de Londres 2012, é de 9,3 bilhões de libras (R$ 25,9 bilhões). A maior parte, 5,9 bilhões de libras (R$ 16,4 bilhões), virá do governo; 2,1 bilhões de libras (R$ 5,8 bilhões) virão da loteria e o resto está previsto para ser levantado junto ao setor privado.

O orçamento dos Jogos no Rio 2016 ainda está sendo revisto. No dossiê da candidatura, ele estava estimado em R$ 28,8 bilhões – R$ 7,5 bilhões a mais do que o custo de Atenas 2004.



18 Novembro 2011

ERROS FATAIS

Vazamento ocorreu por erro técnico, diz ANP

Um vazamento na extremidade do revestimento (sapata) de um dos poços perfurados pela Chevron, na Bacia de Campos, permitiu que o óleo escapasse, afirmou o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima.
Isso significa que o vazamento ocorreu provavelmente por erro de operação do poço e não por falha natural alheia à responsabilidade da empresa. Lima afirma que serão aplicadas "multas pesadas" pelo acidente, mas os valores só serão definidos depois de controlado o vazamento.

Lima diz que parte do óleo extraído da jazida escapou por esse "furo" na sapata do poço, atravessou uma falha geológica e desembocou no assoalho oceânico. "A prioridade é controlar o vazamento. O processo de cementação do poço será feito em quatro etapas. A primeira delas, concluída na quarta-feira, foi um sucesso." A Chevron afirmou que não concluiu a apuração sobre as causas do vazamento e, por isso, não se manifestou sobre as declarações de Lima.

O chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Fábio Scliar, que abriu inquérito para investigar o episódio, diz que vai intimar diretores da Chevron para esclarecer "inconsistências" nas informações prestadas.

"Até agora, a única fonte é a própria empresa, que já deu várias informações desencontradas. A falta de transparência dos órgãos oficiais é um absurdo. É o fim do mundo o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciar para dar uma satisfação à sociedade", reclama Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.

Em nota, a ANP informa que "imagens submarinas aparentemente indicam a existência de um fluxo residual de vazamento. A mancha de óleo continua se afastando do litoral e se dispersando, como é desejado".

Fábio Scliar, da PF, espera o laudo pericial encomendado a um oceanógrafo para intimar diretores da Chevron. Ele sobrevoou a região na terça-feira e ouviu cerca de 15 funcionários do navio-plataforma no local.

"O engenheiro responsável não tem experiência em gerenciamento de crise, e a informação que recebemos é que o perito americano contratado disse que não há previsão para sanar o problema. Só vimos um navio atuando na contenção do vazamento, e não 17, como a empresa havia dito. Eles têm de explicar esses pontos", afirmou Scliar.

Os responsáveis pela plataforma podem ser indiciados pelo crime de poluição e, se condenados, estão sujeitos a penas que variam de 1 a 5 anos de prisão.

Críticas. O oceanógrafo Luís Melges, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), critica a falta de um Plano Nacional de Contingência, que começou a ser discutido em 2000, quando houve um vazamento na Baía de Guanabara, e não foi concluído. "Esse plano permite que medidas sejam tomadas imediatamente, sem precisar discutir passo a passo. Não há regra do jogo estabelecida, 11 anos depois", afirma.

Hoje, haverá um sobrevoo com técnicos da Marinha, ANP, Ibama e Instituto Estadual do Ambiente. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, diz que cobrará da Chevron reparação: "Aquela região é rota migratória de mamíferos marinhos. E a época da migração é exatamente agora. Vamos cobrar reparação para programas de biodiversidade."

O Estado de S. Paulo - 18/11/2011
Retirado do site GeofísicaBrasil

26 Outubro 2011

A RESSACA DOS DERROTADOS

 
Nova passeata da Globo: a ressaca dos derrotados
Jornal do Brasil
Gilson caroni Filho


    Os brasileiros, que tiveram de passar 20 anos lendo nas entrelinhas, especulando a partir de meias palavras ou interpretando – procurando interpretar – as rudes reações viscerais trazidas ao público por aqueles que detinham o poder, têm hoje olhos e ouvidos apuradíssimos para entender o que há por trás de cada episódio do cotidiano, por mais irrelevante que possa parecer à primeira vista. É isso que o baronato midiático parece não ter entendido ao continuar patrocinando atos que, a pretexto de combater a corrupção, têm como objetivo esvaziar a política.

    Os movimentos que saem da internet para ganhar as ruas, longe de serem a "primavera" com que sonham – ou fingem sonhar – seus reais mentores, têm  se mostrado um melancólico outono dos tradicionais dispositivos de agenciamento midiático. Submersos na crise do imobilismo de suas bases, resta à velha direita o consolo de platitudes publicadas para justificar mais uma tentativa fracassada. O saldo de mais um insucesso ora é debitado à boa situação da economia brasileira ora a uma estranha lógica binária, como a apresentada pelo professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro, na edição de 13/05, de O Globo:

    "O problema na luta contra a corrupção é que ela está tomada pelos partidos. E é uma lástima que as pessoas usem isso contra o partido oposto". Mas a que se refere o renomado acadêmico? A característica do movimento não seria exatamente o seu reiterado  "caráter apartidário"? Ou, sem se dar conta, Janine revela o fato que deveria  permanecer oculto: o centro político da reação está agrupado no campo jornalístico oligopolista que assume para si o papel de partido de oposição.

    O mesmo partido que deu sustentação a duas décadas de ditadura militar. O mesmo agrupamento que silenciou as emoções e expectativas da opinião pública durante os oito anos de desmando do tucanato. Que  editou a realidade para ocultar as preocupações da população com o apagão, o descontrole cambial, a desnacionalização de partes substanciosas da produção e serviços  nacionais, os rigores de uma política econômica que duplicaram as dívidas externas e internas e criaram seguidos déficits comerciais.

    Desemprego, congelamento ou  irrisórios aumentos salariais, ao lado de escândalos políticos e econômicos, pareciam fazer parte do cenário  natural para os mesmos colunistas militantes  que agora se arvoram em defensores de valores republicanos.  Num conhecido jogo de espelhos, a  defesa incondicional dos ditames do mercado é trocada, editorialmente, pela busca de posicionamento ético no trato da coisa pública. A guinada é tão malfeita que não atrai o distinto público, como pudemos constatar nas manifestações de quarta-feira, dia da padroeira oficial do Brasil.  No Rio de Janeiro, os manifestantes chegaram a hostilizar os que preferiram olhar o mar a ver a ressaca dos derrotados.

    Para deixar claro qual o objetivo da  TV Globo e de seus sócios menores nessa simulação barata, vale a pena reproduzir o que escreveu o ex-deputado Milton Temer (PSOL) em seu blog: "promover no Brasil uma onda semelhante à que lamentavelmente varre povos de potências capitalistas, que se reúnem em manifestações pontuais e conjunturais, mas que, pela abstenção nos processos eleitorais, por justificado ceticismo,  permitem à direita mais reacionária manter o controle absoluto das instituições, ditas republicanas, que realmente deliberam sobre seus destinos, através do modelo de sociedade que desenham com suas leis e decisões dos poderes Executivo e Judiciário".

    O brasileiro sabe que, sempre que uma esperança se frustra (o que não é o caso do atual governo), vem a decepção e é preciso criar alternativas. Sempre é preciso reconstruir caminhos, mas o que a grande imprensa apresenta é um atalho para o precipício.

Por Gilson Caroni Filho é sociólogo. -  Gilson.filhobr@terra.com.br
Postado originalmente no Jornal do Brasil

21 Setembro 2011

NISSO O BRASIL É DIFERENTE, A IMPRENSA É QUE MANDA


O acordo da Al Jazeera com Washington

Por Heloisa Villela, de Washington

A notícia é estarrecedora. Mas não foi manchete na imprensa mundial. O diretor geral da rede Al Jazeera, Wadah Khanfar, entregou o cargo ontem sem explicar porque e sem dizer o que fará daqui para frente. Khanfar é palestino, foi correspondente da Al Jazeera no Iraque, entre outros lugares, e dirigia o jornalismo da empresa há oito anos. É apontado como grande responsável pelo crescimento da rede que hoje é a mais assistida no mundo árabe e mereceu elogios até da secretária de Estado, Hillary Clinton, o que por si só já seria motivo para deixar qualquer cético de orelha em pé.

Pois agora as dúvidas vieram à  tona. Mais uma vez, a cargo do site WikiLeaks. O New York Times teve acesso ao material e contou que em um telegrama diplomático de outubro de 2005, o embaixador americano Chase Untermeyer descreve  um encontro com Wadah Khanfar no qual foram entregues ao diretor da Al Jazeera cópias de relatórios da Agência de Inteligência do Departamento de Defesa americano sobre as reportagens feitas pela Al Jazeera a respeito da guerra no Iraque. Segundo o telegrama, Khanfar informou que o Ministério das Relações Exteriores do Qatar já havia fornecido a ele os mesmos relatórios, o que sugere um elevado grau de consultas entre os dois governos e a Al Jazeera.

O telegrama diz ainda que Khanfar salientou a necessidade de manter secretas as consultas. E criticou qualquer referência, por escrito, a um entendimento entre os Estados Unidos e a Al Jazeera. De acordo com o telegrama, Khanfar afirmou: “O acordo era de que seria sem papel. Como uma organização jornalística, não podemos assinar acordos dessa natureza, e tê-lo aqui por escrito nos preocupa muito”. Na mesma reunião, Khanfar admitiu que a rede modificou detalhes das reportagens para satisfazer pedidos dos americanos. Por exemplo: retirou do ar imagens de crianças feridas, em um hospital, e de uma mulher com o rosto muito machucado.

Com relação a uma segunda reclamação dos americanos, o diretor da Al Jazeera se mostrou relutante, mas prometeu colaborar. “Não imediatamente”, relata o embaixador americano no telegrama, “porque provocaria comentários, mas em dois ou três dias”.

Se isso acontece com uma rede financiada pelo governo do Qatar, imagine a que tipo de pressão não cedem os diretores de jornalismo americanos? O que não fica claro, nessa história toda, é o motivo pelo qual o diretor da Al Jazeera cedeu. Em troca do que? Acesso? Espaço no mercado americano? Ontem, Wadah Khanfar entregou o cargo. Despediu-se dos colegas e subordinados por carta. Destacou o crescimento que a Al Jazeera experimentou nos últimos oito anos, enquanto ele esteve à frente da direção de jornalismo.

Nem uma palavra, dele ou da empresa, a respeito dos documentos do WikiLeaks. Mas que ele deixou a empresa depois que os documentos foram divulgados, isso é fato.

* Publicado no blog Vi O Mundo