Ligar para o 190 deve ser apenas em caso sérios. No entanto, mutos estão realmente precisando ser atendidos em uma emergência, mas não sabem o número que ligar e ligam para o 190. Essas pessoas, representam quase 36% das ligações, segundo o próprio 190, ou seja, mais de 8 mil pessoas por dia precisam de atendimento emergencial e não são atendidos com eficiência. Isso poderia ser resolvido de forma simples, otimizando tempo, custos, espaço... Bastava ter apenas um número de emergência que atendesse todos os chamados.
Vamos ver se você sabe:
Tá na rua e uma pessoa foi atropelada por um carro na sua frente, ela está mal e precisa de socorro imediato. Para qual número você liga? 190 ou 193?
Pensou? Já sabe a resposta? Pois é, nenhum dos dois, pois já tem um tempo que o 193 atende apenas incêndios ou acidentes graves com pessoas presas as ferregens, por exemplo. Nos demais casos você deve ligar para o SAMU, ou seja, para o 192.
Se fossse um assalto você ligaria para o 190, mas se for uma batida que precisa do registro de ocorrência da PM, você deve ligar para o batalhão da área, obviamente depois de descobrir qual é o batalhão que atende aquela área. Lembre-se que nas viaturas tem o número 190 para você ligar no caso de emergência.
Caso você esteja na Dutra ou na Washinton Luiz ou em qualquer estrada federal, esqueça todos esses números e ligue para o 191.
Enfim, em casos de emergência você não deve perder tempo, mas como não perder tempo se você precisa saber exatamente o telefone que ligar em um curto espaço de tempo, estando em um momento onde normalmente as pessoas ficam nervosas. E pior, se você está nervoso o atendente diz que não é possível te atender por você estar nervoso.
Lamentávelmente, temos a imensa necessidade destes serviços no Brasil e ainda mais no Rio de janeiro. Só que eles não funcionam perfeitamente, elevando ainda mais a violência e as mortes por acidentes em vias públicas.
Outro fato que é preciso ser comentado, é o fato de o batalhão de São João de Meriti atender uma área MAIOR e ter um efetivo MENOR que o batalhão de Copacabana. Será que a polícia militar não conhece o significado de "proporção"? Certamente conhece, mas o que acontece em São João de Meriti não é tão divulgado quanto o que acontece em Copacabana. Por isso que para atender um chamado, um leva mais de 3 horas do que o outro.
Segue a matéria do jornal O Globo.
Atendimento do 190 vira polêmica no RioA enfermeira Sheila da Cruz acusou a atendente do serviço de perder tempo solicitando informações em excesso e dificultar atendimentoRIO - Um mal-entendido no diálogo entre uma operadora do 190 (telefone de emergência da PM) e a testemunha de um assalto na manhã de terça-feira na Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, virou motivo de polêmica. Em entrevista à BandNews FM, a enfermeira Sheila da Cruz acusou a atendente do serviço de perder tempo solicitando informações em excesso como precondição para enviar uma viatura ao local. A Secretaria de Segurança, que coordena o teleatendimento nos 19 municípios da Região Metropolitana, por sua vez, alega que a funcionária adotou o procedimento padrão e que a enfermeira estava nervosa ao ligar para o serviço.
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Esteja a razão com quem estiver, o fato é que o diálogo também chamou a atenção da secretaria. A gravação da conversa — que não foi divulgada para a imprensa — será usada no próximo curso de reciclagem este mês para os mais de 200 telefonistas que trabalham no serviço. Segundo o órgão, os cursos ocorrerão a cada seis meses. Os atendentes do 190 são monitorados por oficiais da PM, mas não pertencem aos quadros da corporação.
No relato de Sheila, a atendente não ficou satisfeita com a informação de que o assalto ocorrera na Avenida Epitácio Pessoa em frente à Pequena Cruzada. Também teria solicitado o endereço detalhado, bem como a placa e a cor da moto usada pelo assaltante, entre outras informações para enviar uma viatura.
— Tanta burocracia me irritou e acabei sendo ríspida. A atendente, alegando que eu estava muito nervosa, desligou na minha cara. Estava mesmo exaltada, mas esse não é o tratamento que se espera de um atendente de 190 — criticou Sheila.
A enfermeira contou que, por volta das 7h30m, ia de carro de casa para o trabalho pela Epitácio Pessoa quando parou num sinal próximo à Pequena Cruzada. À sua frente, viu que um motoqueiro se aproveitou para assaltar uma motorista.
— Ele quebrou o vidro do carona com algo que parecia uma arma e tirou alguma coisa. Quem vinha atrás buzinou para alertar. Assustada, a motorista retornou pelo canteiro. Foi quando tentei alertar o 190 — disse Sheila.
Coronel: problemas são exceções
A Secretaria de Segurança deu outra versão. Informou em nota que supervisores do 190 ouviram a gravação da conversa, junto com a operadora. A atendente foi orientada sobre cuidados para evitar confusões no entendimento da ocorrências. Mas, apesar da recomendação, o órgão alegou que, ao começar a relatar o caso no 190, a enfermeira deu a entender que se tratava apenas de um acidente de trânsito: uma ocorrência que a PM deixou de atender desde o ano passado, quando as colisões não registram vitimas.
Segundo a secretaria, ao perceber que se tratava na verdade de um assalto, a funcionária pediu informações mais detalhadas e enviou os dados para o 23 BPM (Leblon). No batalhão, a central de operação deslocou a viatura mais próxima.
— Os atendentes do 190 são orientados a solicitar o maior número possível de informações para agilizar o atendimento. É uma regra. É claro que, em alguns casos, o nervosismo dificulta a compreensão. Mas são exceções — argumentou a coronel Editi Bomfadine, coordenadora do 190.
Na versão da secretaria, Sheila informou inicialmente ao 190 que um motoqueiro tinha quebrado o vidro de um carro. A atendente pensou então que se tratava de um acidente sem vítimas e orientou a enfermeira a anotar a placa e procurar o batalhão da PM para registrar o Boletim de Acidentes (Brat) . "Porém, a solicitante achou que a atendente havia entendido o problema e estava pedindo informações descabidas para aquela situação e, que de nada adiantariam, pois o assaltante já estaria longe. A ligação foi interrompida porque a solicitante desligou o telefone, e não o contrário", informou em nota oficial.
Segundo o órgão, em quatro minutos o 23º BPM (Leblon) enviou uma viatura ao local. Logo após, o 190 recebeu mais duas ligações sobre o caso de testemunhas que deram mais detalhes mais precisos. Até o início da noite, ninguém foi preso.
A secretaria lembrou que, logo após assumir o cargo, o comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, criou um plano de metas para reduzir o tempo de envio de viaturas pelos batalhões, a partir do momento em que os centros de operação recebem informações do 190. O tempo médio teria caído de 42 minutos em janeiro de 2011 para apenas sete minutos em janeiro deste ano. De acordo com o órgão, as informações de desempenho estão sob análise interna e no futuro divulgadas na internet.
Mas uma inspeção feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o serviço 190, cujo relatório foi votado no início do ano passado, concluiu que os tempos de espera podem ser maiores ou menores. Um levantamento feito por amostragem concluiu que o 19 BPM (Copacabana) levava em média em 11 minutos e 51 segundos para enviar uma viatura a partir da chegada dos dados pelo 190 ao comando de operações. Enquanto isso, o 21 BPM (São João de Meriti, na Baixada Fluminense) levava 3 horas, 12 minutos e 47 segundos. Segundo o relatório, as diferenças eram porque o batalhão da Baixada cobre uma área bem maior, mas com menos efetivo e recursos do que os disponíveis na Zona Sul.
O relatório também identificou outros obstáculos que afetam a qualidade do serviço e recomenda que sejam solucionados. Os mapas usados pelo sistema 190 contam, segundo o TCE, com poucos pontos de referência (como escolas, padarias e postos de gasolina por exemplo) para auxiliar na orientação dos PMs. Além disso, apesar das viaturas disporem de GPS, ainda existem "áreas de sombra" que impedem em alguns casos que o policial saiba com precisão se a viatura acionada de fato é a que está mais próxima da ocorrência. Nesse caso, a solução é acionar os PMs pelo rádio. O relatório também recomenda que as delegacias agilizem o atendimento das ocorrências para que os policiais possam retornar ao patrulhamento das ruas no menor tempo possível. Outra medida sugerida é que os efetivos sejam distribuídos proporcionalmente a população atendida.
Atendentes têm que saber lidar com situações de estresse
O sociólogo Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do estado do Rio de Janeiro (Uerj), que assina dezenas de artigos acadêmicos e estuda a segurança pública no estado, lembrou que, em qualquer lugar do mundo, o atendente do serviço de emergência é treinado para jamais desligar o telefone quando recebe um telefonema. Sua obrigação é estar preparado para atender pessoas debilitadas e nervosas, muitas vezes em situações dramáticas.
— Ele deve ignorar qualquer provocação. Precisa estar preparado para isso, independentemente de qualquer coisa, de uma grosseria ou de uma gentileza. Ou seja: sendo a pessoa grosseira ou encantadora, o atendente precisa definir rapidamente o grau de urgência, identificar o local e enviar ajuda — afirmou Cano.
Para o sociólogo, por outro lado, o cidadão que procura o 190 também precisa ser objetivo: primeiro informar o grau de urgência, o local do fato e se há risco de morte ou qualquer outro perigo iminente. Se possível e por último, deve dar detalhes: placas de veículos e se há homens armados.
Fonte: Jornal O Globo















